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    Não dispondo, aqui no Brasil, através de livre e fácil acesso ao público, dos respectivos estudos, pesquisas e reflexões necessários ao entendimento amplo do que representa esse referido megaprojeto de Campinas, temos de buscar em outros países, cuja população vive situações semelhantes à nossa, o que já têm desenvolvido sobre o tema “aumento do transporte aéreo”.
    Abaixo seguem então dados relativos à questão das poluições originadas pelo desenvolvimento crescente do transporte aéreo extraídos do site francês acipa e que trazem alguns elementos para começarmos a discutir com abrangência uma ampliação aeroportuária de grandes proporções como a que se busca instalar entre nós:
POLUIÇÕES PROVOCADAS PELOS AVIÕES E AS ESTRUTURAS AEROPORTUÁRIAS
    A evolução do transporte aéreo mundial não se dá sem graves conseqüências sobre o ambiente. A presença de um aeroporto provoca o aparecimento de danos cada vez menos suportados pelos habitantes, sobretudo os mais próximos: poluição do ar, poluição sonora, poluição do solo, da água. A tomada de consciência internacional sobre a ação nefasta dos aviões aconteceu no começo dos anos 70 e não pára de se desenvolver, paralelamente ao tráfego dos aviões.
    Até aquela data, as decisões não levavam em conta a dimensão ambiental, o interesse da coletividade primando antes de tudo.
    Mundialmente, fala-se hoje, sobretudo, da ação dos poluentes lançados pela combustão do querosene: participação no efeito estufa e produção de óxidos de azoto em grande quantidade na alta atmosfera, e estes, após alguns estudos recentes, poderiam agir sobre a camada de ozônio. Mas as conseqüências locais são, de longe, as mais danosas, atingindo diretamente os habitantes da plataforma aeroportuária. Dentro desse quadro, a poluição sonora constitui o mal-estar mais combatido pelas populações expostas.
    Apesar da ação dos poderes públicos que, há mais de quinze anos, procura reduzir os danos sonoros em decorrência das mais diversas medidas jurídicas, os habitantes se fazem ouvir de forma cada vez mais vigorosa a respeito: manifestações nas ruas, formação de associações e comitês de bairro...
    As evoluções tecnológicas se dão muito mais sobre planos de redução das poluições (sonora, atmosférica) do que sobre a segurança, mas os efeitos dos incessantes movimentos que vão crescendo, sobre os aeroportos, fazem-se cada vez mais importantes (nesse sentido também).
DEFINIÇÃO DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA
    Existem várias definições oficiais sobre a poluição atmosférica. Poderemos nos deter na do Conselho da Europa, de 1987: “há poluição do ar quando a presença de uma substância estranha, ou uma variação importante na proporção de sua constituição, é suscetível de provocar um efeito danoso considerando os conhecimentos científicos do momento, ou, de criar uma tortura.” A definição na lei sobre o ar, de 30 de dezembro de 1996, artigo 2, é igualmente interessante. Segundo o legislador, a poluição atmosférica constitui “a introdução pelo homem, direta ou indiretamente, na atmosfera e nos espaços fechados, de substâncias tendo efeitos prejudiciais cuja natureza coloca em perigo a saúde humana, traz deterioração às fontes biológicas e aos ecossistemas, influencia as mudanças climáticas, deteriorando também os bens materiais e provocando danos olfativos excessivos.”
    Em paralelo (a essas questões), a poluição ligada ao tráfego terrestre aumentará proporcionalmente ao tráfego aéreo e os estudos deveriam levar em conta a importância daquilo que se pode chamar de poluição induzida, quer dizer, aquela que é atribuída aos veículos utilizados no solo para o funcionamento do aeroporto, e aos numerosos veículos de passageiros utilizando também esse mesmo aeroporto (ver figura abaixo)
    Conclui-se que a poluição atmosférica nas proximidades dos aeroportos é considerável, como testemunham documentos emanados dos aeroportos de Paris e de Heathrow (Londres), e, atualmente, dos habitantes que demonstram sua aflição (rodovias deslizantes, necrose das plantas) como ocorre em Lyon Satolas (aeroporto situado no leste da França), por exemplo.
    Desde que ficou claramente estabelecido que os óxidos de azoto expelidos, sobretudo durante a decolagem e subida dos aviões, que o monóxido de carbono, os hidrocarburetos não queimados e as fumaças constituem emissões poluentes consideráveis, as seguintes conclusões se impõem: a verdadeira importância da poluição atmosférica, em nossos dias, no entorno dos aeroportos, é minimizada e, muitas vezes, dissimulada. O aumento do tráfego aéreo traz como conseqüência, conforme esclarece o dossiê de instrução local, o aumento da poluição atmosférica. No caso do aeroporto de Nantes (Notre-Dame de Landes) numerosas povoações estão no entorno imediato das pistas, como também sob a rota das aeronaves, expostas aos riscos de serem sobrevoadas.
    Mais dados serão trazidos proximamente neste site.
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